Uma polêmica está tomando conta da Broadway, depois da publicação de um artigo na revista Newsweek, assinado por Ramin Setoodeh, que critica duramente o musical Promises, Promises, por considerar que, ao ser interpretado do Sean Hayes, o protagonista não convence como heterossexual. Setoodeh compara a atuação de Hayes (que ficou famoso por seu papel na série Will & Grace) a de Jerry Orbach, que interpretou o mesmo papel quando a obra estreou em 1968, destacando sua “pose masculina” em contraste com a de Hayes. O autor do artigo também não acha que convencem como heterossexuais outros atores gays que se incumbem de viver esses personagens, mencionando Jonathan Groff, que em alguns episódios da série Glee interpretou um personagem heterossexual.
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Sean Hayes e Kristin Chenoweth, no musical Promises, Promises |
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Setoodeh vai mais longe ainda ao opinar que o mero conhecimento da homossexualidade do ator faz que sua interpretação como heterossexual seja percebida pelo público como uma farsa. Ele menciona o (opinião dele) exemplo de Rock Hudson em Confidências à Meia-Noite, a comédia romântica que o ator protagonizou com Doris Day. Setoodeh chega inclusive a pleitear que um ator gay seja impossibilitado de interpretar um heterossexual. Curiosamente, se mostra mais compreensivo com o fato de atrizes lésbicas possam interpretar papéis de mulheres heterossexuais. As opiniões de Setoodeh imediatamente tiveram uma inesperada resposta. Especialmente contudente, como a reação da atriz Kristin Chenoweth, que contracena com Hayes em Promises, Promises. A atriz enviou uma carta à Newsweek em que se diz ofendida “como ser humano, como mulher e como cristã. Houve um tempo em que os atores judeus eram obrigados a trocar seu nome porque os antisemitas não achavam ser possível a um judeu interpretar um gentil”, lembra a atriz, que considera que as opiniões de Setoodeh, apesar de ele ser gay, refletem sua própria homofobia e contribuem a perpetuar o sentimento homofóbico. Ryan Murphy, criador da série Glee, também reagiu com firmeza, pedindo inclusive que os leitores boicotassem a Newsweek.
Diante da reação ao seu artigo, Setoodeh declarou que suas palavras foram “mal interpretadas” e que o que pretendia era simplemente apresentar uma realidade e desencadear o debate. |