A rejeição familiar multiplica por oito o risco de suicídio entre jovens lésbicas, gays, bissexuais e transexuais, segundo um estudo realizado pela doutora da Universidade da Califórnia Caitlin Ryan, a primera investigação sobre as consequências sobre a saúde destes jovens e a aceitação em seu entorno. Publicado recentemente pela revista Pediatrics e apresentado, esta semana, em Madri, na Espanha, o estudo A importância da aceitação familiar para a saúde física e mental dos jovens homossexuais e bissexuais revela também que com uma alta rejeição por parte da família com a orientação ou identidade sexual do filho as possibilidades de que o jovem consuma drogas e contraia o HIV se multiplicam por três.
Neste sentido, demonstra que os jovens homossexuais ou transgêneros que foram rejeitados pela família devido à sua identidade “tinham uma autoestima muito mais baixa, contavam com menos pessoas a quem pedir ajuda e estavam mais isolados” que aqueles que contavam com a aceitação. “A família é a unidade básica que tem como objetivo o apoio e proteção mútuos de todos seus membros”, indicou a presidente da União de Associações Familiares (UNAF), Juana Angulo, que também destacou que os valores sobre os quais de deve ter em conta são “a tolerância, o amor, a igualdade e a justiça”. Além disso, destacou que os filhos LGBT devem ser “ajudados para reconhecer-se como tal e a criar seus próprios modelos de família”. |
Os jovens reconhecem a atração pelo mesmo sexo aos 10 anos |
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“É muito grave quando são os próprios pai, mãe, avôs, aqueles que marginalizam os filhos LGBT”, apontou a presidente da Associação de Mães e Pais de Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transexuais (AMPGYL), Esther Nolla i Miró. “Mude, escute e sobretudo informe-se” foi a mansagem dada aos pais que se encontram nesta situação, que, segundo foi mostrado, quando ficam sabendo da orientação ou identidade sexual de seus filhos, “consideram o assunto como um desgosto”.
Quanto ao momento em que as crianças percebem que se sentem atraídas por pessoas do mesmo sexo, o estudo indica que isto costuma acontecer aos 10 anos de idade – uma média de idade mais baixa do que ocorria nos anos 70 – e que o momento em que se identificam é aos 13 anos – também uma idade inferior à registrada na década de 70, quando a identificação ocorria, segundo o estudo, em torno dos 20 anos.
A autora da pesquisa, Caitlin Ryan, assegurou que os heterossexuais descobrem de quem eles gostam e se identificam sexualmente com uma idads similar aos jovens LGBT, o que, segundo ela, nega “o mito de que tenham um desenvolvimento diferente”. |